A Inerrância e Infalibilidade: A Declaração de Chicago e seus Críticos
1. Distinção de Termos: Infalibilidade vs. Inerrância
Embora muitas vezes usados como sinônimos no linguajar popular, no campo acadêmico os dois termos guardam distinções de nuance fundamentais: Infalibilidade (Infallibilitas): Afirma que a Bíblia não falha em seu propósito supremo de conduzir o ser humano à salvação e à vida com Deus. Ela é inteiramente digna de confiança em suas promessas e ensinos doutrinários. Inerrância (Inerrantia): Afirma que a Escritura não erra em nenhuma de suas afirmações — não apenas em matérias de fé e moral, mas também quando aborda fatos históricos, acontecimentos cronológicos e dados do mundo criado, quando interpretada segundo sua intenção comunicativa genuína e gênero literário.Em contrapartida, teólogos confessionais demonstraram que essa divisão é insustentável: a salvação bíblica ocorreu em eventos históricos reais! Se a Bíblia erra ao narrar a história de Israel ou os atos de Jesus, qual garantia temos de que acerta quando fala sobre a justificação pela fé invisível?
2. A Declaração de Chicago sobre a Inerrância Bíblica (1978)
Em outubro de 1978, cerca de 300 renomados estudiosos e teólogos internacionais (entre eles R.C. Sproul, J.I. Packer, Norman Geisler e Francis Schaeffer) reuniram-se no International Council on Biblical Inerrancy (ICBI) em Chicago e redigiram a histórica Declaração de Chicago.O documento é composto por 19 artigos de Afirmações e Negações. Dentre seus pontos mais cruciais destacam-se:
- Os Autógrafos Originais: A inerrância aplica-se estritamente aos textos autógrafos originais (os manuscritos que saíram das mãos dos autores bíblicos), e às cópias e traduções na medida em que reproduzem com fidelidade o texto original.
- Respeito aos Gêneros Literários: Inerrância não significa literalismo tosco. A Bíblia utiliza poesia, metáforas, hipérboles, linguagem fenomênica (descrever o nascer do sol a partir da perspectiva visual humana da terra) e arredondamento numérico comum nas crônicas do mundo antigo. Nada disso constitui "erro", mas sim o uso legítimo da linguagem humana de sua época.
- Harmonia Orgânica: As aparentes discrepâncias nos evangelhos refletem perspectivas complementares de testemunhas oculares, e não fraudes ou contradições irreconciliáveis.